"A Separação" Vence o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Desde a indicação de "A Separação" (de Asghar Farhadi, 2011) ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (apenas alguns dias após ter recebido o Globo de Ouro na mesma categoria), muito foi comentado, tanto pela mídia especializada, como por fãs do cinema iraniano.
Praticamente todos, de alguma forma o tinham como grande favorito, devido a sua qualidade excepcional, tanto nas atuações, como no roteiro e na direção. Porém, poucos realmente acreditavam que fosse possível à obra de Asghar Farhadi ganhar este prêmio tão cobiçado pelo cinema iraniano desde o inicio de sua "nova escola", liderada pelos filmes de Abbas Kiarostami, responsáveis por atrair atenção mundial para o cinema produzido no Irã.
Talvez o prêmio perdido em 1997, quando o italiano "A Vida é Bela" desbancou o iraniano e favorito "Filhos do Paraíso", seja o maior responsável por esta descrença de alguns na Academia. Nos dias seguintes à indicação ao Oscar, era possível ver comentários bastante pessimistas nas redes sociais, tais como "um filme iraniano nunca ganhará o Oscar" ou até "obra de arte não ganha Oscar".
Para a alegria do povo iraniano e dos verdadeiros fãs de seu cinema, os pessimistas estavam errados e finalmente o cinema produzido nas terras dos grandes poetas do oriente foi reconhecido por sua excelência.
Não bastasse o tão aguardado reconhecimento, a entrega do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi marcada também pelo discurso de agradecimento de Asghar Farhadi, que em poucas palavras conseguiu traduzir e transmitir o sentimento de milhões de pessoas que desejam ter sua cultura e seu caráter vistos como realmente são, e não como os governos e a mídia ocidentais dizem ser.
Segue abaixo o discurso de Farhadi traduzido para o português:
"Eu gostaria de agradecer à Academia e a Sony Pictures Classics e a meus queridos amigos Michael Barker e Tom Bernard. Neste momento muitos iranianos em todo o mundo estão nos assistindo e eu imagino que devem estar muito felizes. Meu povo não está feliz só por conta de um importante prêmio, ou filme, ou diretor, mas porque em um momento quando discursos de intimidação de guerra e agressões são trocadas entre políticos em nome de seus países, o Irã é falado aqui através de sua cultura gloriosa, uma cultura rica e antiga que vem sido escondida sob a poeira da política. Eu orgulhosamente ofereço este prêmio para o povo do meu país, o povo que respeita todas as culturas e civilizações e despreza hostilidade e ressentimento. Muito obrigado."
Parabéns a Asghar Farhadi e toda a equipe responsável por este grande feito que marca a história do cinema iraniano como o primeiro filme a receber uma estatueta do Oscar. Esperemos que ele também seja responsável pelo futuro reconhecimento de outros belíssimos filmes produzidos não somente no Irã, como em outros países distantes dos holofotes dos grandes festivais de cinema, que por muitas vezes não conquistam a atenção merecida, escapando aos olhos dos admiradores da verdadeira sétima arte.
Texto por Jafar Kazerooni.



